Terça-feira, 15 de Maio de 2007
CARDIELOS; Aniversário de Albano Viana

 

CARDIELOS ; Aniversário de Albano Viana

No Sábado, dia 12 de Maio, foi festejado o 90 aniversário de Albano Viana, embora tenha nascido a 11 de Maio de 1917, mês e ano das aparições de Nossa Senhora de Fátima. Este evento realizado na quinta de D. Sapo em Cardielos, entre familiares e amigos num ambiente de muita alegria e divertimento, aproveito esta quadra marcante na sua vida para falar um pouco do seu passado. Albano Viana (meu sogro), é uma pessoa muito popular rodeado de amigos, é o mais novo de cinco irmãos, como era frequente naquele tempo, nascia-se, e de tenra idade passava-se a homem, não havia tempo de invernar como criança, mal se largava as fraldas que naquela altura eram trapos que os irmãos mais velhos tinham usado, começava-se a andar, corria-se atrás das galinhas que fugiam para as hortas, e obedecia-se às ordens gritantes dos pais que ecoavam estridentes nos ouvidos com efeito determinado, “Tem conta nas galinhas”. Depois de guardadores de galinhas passava-se a guardadores de gado bovino e ovelhas no monte, aí tinham que ter boa corrida e serem destros para não deixar os animais irem para os prados dos vizinhos, porque logo havia queixas e isso dava direito a apanhar porrada, com treze anos era o rapaz dos picos de outros pedreiros cá da terra, foi trabalhar para a Galiza Espanha, passando a fronteira a coberto da noite com outros colegas mais velhos, onde esteve ano e meio sem ver a família, mais tarde foi trabalhar como pedreiro para a Cova da Piedade (Lisboa), aí, em convívio com muitos homens da terra tinham a sua própria colónia em comunidade, naquele tempo o pessoal do norte sempre aventureiro emigrava para as grandes cidades, Cardielos como outras freguesias vizinhas, durante parte do ano só havia mulheres, velhos e crianças, os homens casados, iam e voltavam para o baptizado dos filhos, os solteiros só por altura do natal, mais tarde essa emigração estendeu-se mais longe para França, Alemanha, e Suiça, antes só existia excepcionalmente para o Brasil, mas era só para alguns felizardos. Depois de cumprir o serviço militar, no 7º. Regimento de Cavalaria na Ajuda, Em Lisboa, alistou-se na Guarda Nacional Republica, nesses tempos convulsivos da segunda guerra mundial foi mobilizado para os Açores, embarcou com a sua viatura, queria dizer, o seu cavalo, no navio Carvalho Araújo, já no alto mar foram interceptados por um navio de guerra Americano, o barco em que seguiam juntamente com passageiros civis, foi aprisionado, e eles tropa GNR com fardamento tipo nazi era os capacetes, eram as armas, até as embalagens das armas, tinham as descrições da sua proveniência em língua alemã, ninguém compreendia o idioma de ambas as partes, tal era a dúvida da parte dos americanos, que foram todos metidos no porão do barco, os passageiros choravam e eles muito jovens chegaram a recear pela vida, depois de contactos entre o barco, Lisboa, América, e Açores, é que foi resolvido o mal entendido.

            Depois destes sobressaltos indesejáveis, chegaram à ilha de Santa Maria nos Açores, no meio de uma tempestade, eles teriam que ficar ali, era o porto de destino, mas tal não seria possível, se não fosse o povo Açoriano homens habituados às irritações das intempéries, que ajudaram e carregaram para terra o equipamento e encaminharam os animais.

            Já tudo estabilizado na ilha, Albano, tinha como missão afastar os animais da pista de aviação, que por ali deambulavam à solta, para que os aviões americanos pudessem aterrar, quando ouvia o roncar de algum avião, lá ia ele em corrida desenfreada com o seu cavalo “Pardal”, a afugentar os animais, meu sogro tinha um carinho especial por este cavalo, ele também era um cavalo especial, era difícil de montar ao princípio, muito nervoso mas com muito afecto e meigo, Só que um dia assustou-se com o barulho de um avião, e saltou a vedação e despenhou-se com o cavaleiro num barranco com cerca de dez a quinze metros no meio dos penedos onde ficaram estatelados, tiveram que ser puxados com um guincho, o cavalo morreu, o meu sogro foi levado para o hospital, sendo dado como morto, ia ser autopsiado e estava em local próprio à espera dessa intervenção, quis o destino, que um piloto americano por sinal amigo dele, que também era médico, soube do acidente e foi de imediato para o hospital, mais propriamente para a morgue do hospital, e descobriu que estava em estado de coma, de imediato sem dar cavaco a ninguém, era noite meteu-o no jipe levou-o para o avião e seguiu para a América, ainda esteve doze dias em estado de coma, depois com platina no crânio mais uns agrafos etc., ficou um homem novo. Mais tarde, por desígnios do destino esse médico morreu em combate, o avião dele foi abatido numa missão contra os nazis. Naquela altura, estes acontecimentos não foram bem entendidos pelos comandos e pelo governo de então, deu alguma polémica no que dizia respeito a autorizações, Albano ficou proibido de montar a cavalo, veio para a metrópole e foi colocado no 4º Esquadrão da Ajuda, junto ao Palácio da Ajuda em Lisboa, apresentou-se nessa altura ao capitão Spínola que de seguida disse a ele e a mais dois, pegai em pás e ides movimentar terras para o picadeiro, Albano disse-lhe que não poderia fazer esse género de trabalho nem podia montar, ide para lá, depois logo se vê, mais tarde foi colocado como telefonista. Só tempos depois, com algumas influências mesmo contra a vontade de Spínola, conseguiu transferência para o Regimento cavalaria motorizada da Bela Vista no Porto, era motorista, e foi escalado para restringir e vigiar os passos do Capitão sem medo Humberto Delgado na sua campanha no Norte, foram oito dias sem descalçar as botas, dormindo alternadamente no jipe, com os oficiais, sempre a repetir as ordens que tinham que cumprir, quando o General chegava a uma povoação, eles tiram ordens para bloquear a caravana de acompanhantes, e só deixar passar o General e mais duas pessoas, até junto da multidão que os esperavam, uma vez na Póvoa o General vira-se para eles e diz; sois sempre os mesmos trabalhais como escravos, se eu ganhar, alguma coisa poderei fazer por voz.

            Reformou antes da idade, por não se identificar muito com a vida militar, e psicologicamente traumatizado, pelo facto da, sua vida se dever ao altruísmo de um estrangeiro, amigo superficial que nem falava a mesma língua mas conviviam, e que num momento decisivo, fez o impossível para lhe salvar a vida, passando um atestado de incompetência aos nossos médicos, carregando com ele para um país longínquo, enquanto os colegas de serviço jogavam às cartas. A notícia da sua morte chegou cedo à terra que num ápice se espalhou com muita tristeza, felizmente que ressuscitou.   Deus lhe dê muitos anos de vida, aqui fica a minha simples homenagem Parabéns     



publicado por J. Alves às 21:04
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Dezembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29

31


posts recentes

DESPEDIDA DE 2017

BIFE DA PÁSCOA de 1974

QUIABO Abelmoschus escule...

TREVO CERVINO -­ PLANTAS ...

ERVA PRINCIPE -­ PLANTAS ...

ABELHAS ASIÁTICAS EM CARD...

16ª Meia Maratona Manuela...

CARDIELOS, NOS SEUS RECÔN...

AZEVINHO PLANTA MEDICINAL

IMPATIENS WALLERIANA-Plan...

arquivos

Dezembro 2017

Março 2016

Dezembro 2015

Outubro 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Junho 2013

Dezembro 2012

Julho 2012

Abril 2012

Novembro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Junho 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Dezembro 2010

Outubro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Abril 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

tags

todas as tags

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds