Domingo, 6 de Maio de 2007
OBSERVÂNCIAS "senhor distinto"

Observâncias

 

            Não me recordo do dia,  mas naquela  altura durante algum tempo, era costume, apanhar o saudoso “”77””, era o autocarro que fazia a zona – Aliados Viso e Vice versa, na Cidade do Porto, eu apenas o utilizava numa pequena parcela do seu percurso, è frequente a quem utiliza os transportes públicos, ser confrontado com peripécias, por vezes positivas, com a intervenção de pessoas que exprimem o seu espírito humorístico, contagiando com o seu alegre à vontade, um efeito de boa disposição nas outras pessoas, que, por momentos, se abstraem dos seus problemas, para ensaiarem umas gargalhadas em comum, outras vezes dá para entrar sem qualquer apetite, na vida de estranhos que sem se precaverem conversam pensando que estão no privado, outras vezes deparamos com algo que nos revolta e nos deixa perplexos, com os procedimentos de alguns indivíduos, cuja conduta, se afasta das mais elementares regras de educação básica, passo a citar o que numa dessas viagens me foi dado observar.

            O autocarro seguia com a lotação completa, como quase sempre acontece nas horas de ponta, em que as pessoas prensadas nos corredores comuns do autocarro, se espremem em toda a sua extensão vertical, não havia espaço sequer, para mais um par de sapatos, perto de mim, um cavalheiro agarrava-se energicamente com ambas as mãos a um dos varões cromados que sustentam a cobertura do veículo, aparentava ter cerca de setenta anos, muito bem penteado, barba cortada recentemente, bigode bem aparado, distintamente vestido, com casaco azul escuro, calça de linho vincada, sapatos de verniz brilhante. Sentado num banco ao lado, seguia um senhor, aparentava ter cerca de quarenta e cinco anos, mas com o físico mais estragado do que o primeiro, vestia um facto cor de azeitona verde, já bastante gasto, segurava em cima dos joelhos uma pasta de cabedal, modelo muito utilizado em anos atrás, com vestígios de muito uso coçada e com algumas nódoas, pela aparência segundo a minha observação deveria ser vendedor.     Este senhor levantou-se e dirigiu-se ao distinto senhor, nestes termos; Tem aqui o meu lugar, não se quer sentar? Ao que o outro retorquiu, com voz forte em aceso rompante, Não, não quero sentar-me, o primeiro ainda de pé muito delicadamente insistiu na oferta, fazendo transparecer muita sinceridade no seu gesto, porém nesta segunda insistência, o distinto senhor respondeu aos berros que ecoaram por todo o autocarro – Já lhe disse que não me quero sentar, ou o senhor quer obrigar-me a sentar, enquanto pronunciava estas palavras, ia mudando de sítio acotovelando as pessoas.

            Perante este quadro, as pessoas que assistiram a esta cena, ficaram revoltadas perante a atitude do senhor distinto, a ninguém passaria pela cabeça que tais impropérios acompanhados de tais gestos poderiam estar latentes no senhor distinto, no decorrer da curta viagem, perguntava aos meus indiferentes botões – será que alguma vez o Senhor que ia sentado, oferecerá o seu lugar a mais alguém depois de todo aquele vexame?



publicado por J. Alves às 11:21
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