Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007
OBSERVÂNCIAS, Carnaval

Observâncias em Cardielos P5

Carnaval

            Estamos no Carnaval, mais um ano a foliar, embora o Carnaval seja uma festa do povo completamente mundana, está muito ligada ao cristianismo, ou seja este excesso de comportamento, antecede a um filtro aos excessos de que devemos estar privados durante a Quaresma, assim, terça-feira de Carnaval último dia das folias, “o adeus à carne”, na  quarta feira de cinzas, dia do juízo, começa a Quaresma, que termina na tarde de quinta-feira santa, que antecede à sexta-feira santa, ou sexta-feira da paixão de Cristo, a igreja católica ordena que não se deve comer carne na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa, e aconselha jejum dentro do possível dentro de todas as, sextas-feiras  da Quaresma, antigamente pagava-se indultos como penitência.

            Depois de falar das ligações religiosas e pagãs, e que ao fim e ao cabo estas intervenções eram feitas pelos próprios cristãos, que nos dias de Carnaval se auto demonstravam com uma identidade diferente de todo o ano, uma maneira de se fantasiarem e fazerem espírito, que noutro dia seria impossível, a imagem que eu tenho do Carnaval quando criança, era assim: nós desejávamos muito a vinda do Carnaval, o quintal da casa de meus pais era rodeada de um muro de granito com cerca de dois metros de altura, meus pais avisavam – cuidado não vão para o caminho, podeis apanhar com o pau, então nós esperávamos pacientemente que os mascarados passassem, antes tínhamos uma laranjeira de laranjas azedas (intragáveis) apanhávamos uma volumosa cesta delas que era colocada à beira do muro, quando sentíamos ao longe a algazarra dos rapazes mais velhos que já podiam ir para os caminhos ou (fugiam aos pais), a gritar, olha o velho, olha o velho, mas sempre muito lestos, porque os varapaus dos velhos (mascarados), voavam sem dó para as pernas dos putos, que quando apanhavam, voavam, não mancavam, claro que os putos não eram pêra doce, atiravam, as laranjas azedas, que encontravam nos caminhos atiradas pelas outras pessoas, a nós crianças saboreávamos quando acertávamos com uma laranja azeda naquelas máscaras que pareciam do outro mundo, era sempre a bombardear, mas com muito medo, porque o pau de giesta por vezes trepava o muro, e as laranjas caiam no vazio do caminho, ao encontro dos rapazes, que as apanhavam para as arremessar contra as máscaras, isto era um círculo rotativo, também foi rapaz das paredes, rapaz das andanças da frente, e mascarado, a hierarquia, para estas andanças apenas contava a idade, e o espírito alegre de folião, hoje tudo é diferente, as máscaras que se vê é mais à noite a caminho da discoteca, os muros continuam lá os caminhos públicos cobertos por altas latadas já não existem, hoje são ruas preparadas para veículos de quatro rodas, com muitos cavalos lá dentro, que passam acima da velocidade recomendada. Gostei de relembrar por uns momentos, aquela idade, alguns anos depois de vir ao mundo.         

Continuação de um bom carnaval deseja-lhes, João Alves


sinto-me: folião

publicado por J. Alves às 00:23
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3 comentários:
De Franc a 20 de Fevereiro de 2007 às 18:27
Amigo João Alves: obrigado por este texto recordativo. Saudações bloguitas do Francisco.


De antonioduvidas a 25 de Fevereiro de 2007 às 11:09
Ora cá estamos nós, neste caso o Sr. Alves, a fazer a ponte entre o passado e o presente. O Portugal de ontem está a desaparecer, é bom trazer à liça estas memórias carnavalescas no caso vertente.
De facto na sextas feiras da Quaresma não se podia comer carne e nos outros dias só para aqueles que comprassem a "bula", os que o não fizessem ficavam em pecado!... As coisas mudaram e ainda bem, pois a idade da pedra já lá vai há muito tempo.
Saudações, antonio


De antonioduvidas a 25 de Fevereiro de 2007 às 16:33
Ainda no seguimento do m/comentário anterior, estavamos no tempo de graves carências económicas quando o padre da m/aldeia alertou do púlpito para o dever de todos comprarem a "bula". No fim da missa, entre outros, um pequeno lavrador dirigiu-se à sacristia para comprar a indulgência.
- E o teu filho, não paga? Ele tem bens? Indagou o padre.
- Ó senhor Abade, era o tratamento que os paroquianos usavam, ele só tem lá pelo quintal umas galinhitas e pouco mais!...
- Então também deve comprar a bula, retorquiu o reverendo.


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