Domingo, 27 de Maio de 2007
Cardielos: por S. Silvestre
    
Cardielos: Peregrinação S. Silvestre
    
     Não consigo acompanhar todos os acontecimentos que se passam na nossa terra, nem pretendo ser o satélite cusco , de serviço minuto a minuto, observando, todos os movimentos, dos movimentos em órbita, neste lugar que aparentemente pacato, tem sempre pólos activos, em rotação. Acordei de manhã, (um despertar provocado),- ordem do dia – peregrinação a S. Silvestre, saída da Igreja paroquial 9, 15 horas, ordem de trabalho – almoçar em S. Silvestre, isto implica, preparar farnel e levar farnel, levar carro ao alto do monte, com farnel regressar a butes para ir para cima na peregrinação a butes, com a família, mas quebrei o costume de anos anteriores, a chuva era tanta, batia no guarda chuva que parecia romper o pano, metia dó, olhava com insistência, o começo da descida da calçada, e uma vós interior ecoava com ressonância, a lembrar o meu dever, e algo me atiçava-me com picadelas no peito, para eu descer monte abaixo, as pernas não obedeceram e eu fiquei por ali, triste, mas acomodado, entretanto dei azo ao meu espírito observador, chegou um autocarro tinha indicações do Gerês subiu normalmente o segundo autocarro foi obrigado a parar quase no fim da última rampa, claro que era impossível subir depois de ter parado, atendendo que é uma rampa muito íngreme,  as pessoas tiveram que sair do autocarro, a chuva, continuava a cair no molhado , a peregrinação, já começava a subir o monte, eu ali parado continuava triste, a assistir aos problemas dos outros e nada poder fazer, e pensei quanto melhor não seria ter vindo para baixo e tornar a subir, a rezar e a cantar na peregrinação, depois da eucaristia no Santuário, tudo se modificou, o sol apareceu, mais autocarros subiram, o farnel estava uma delícia as pessoas acomodaram-se no salão dos romeiros, os mesários da confraria foram infatigáveis, a receber os forasteiros, que se divertiam convivendo e jogando no grande adro que ali existe.       
 
Vista do alto do monte de S. Silvestre
 
 música-para recordar maria da peida queliK
           
  
  

sinto-me: bem

publicado por J. Alves às 22:29
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CARDIELOS; Festa de Gaitas
CARDIELOS: Apresentação Oficial da Banda de Gaitas de Santiago de Cardielos
 
 
Em 26 de Maio de 2007. Chegou afinal, a apresentação oficial da Banda de Gaitas, já há tempos previsto, a ordem deste acontecimento começou cerca das 16,30 horas com apresentação e oficialização deste evento, seguindo-se a inauguração da sede do Grupo, Folclórico, das Bordadeiras da Casa do Povo de Cardielos, onde não faltou uns amorfes, para dar ao dente e umas garrafitas para molhar a palavra, seguiu-se o desfile, para o Adro da Igreja com todas as bandas convidadas, pisando o alcatrão estrada fora, com as gaitas levantadas, que mais parecia pau de bazuca para baixar avião, depois seguiu-se a missa Eucarística de acção de graças na igreja paroquial, cantada pelos elementos do grupo folclórico, onde tiveram também intervenção de dois elementos da banda de gaitas, depois de umas gaitadas repartidas em tempo, às 20,30 horas, seguimos com os nossos carros para a quinta do Dom Sapo, onde antes do jantar convívio, as gaitas soaram mais uma vez, junto ao relvado. Com o salão do Dom Sapo a abarrotar de gente, deveriam estar mais de trezentas pessoas, com muita animação pelo meio, feita pelos espanhóis, que de uma forma informal, se agarraram aos instrumentos, de uma maneira tão guapa e farfalhudos que toda a gente saltava e batia as mãos.
Foi realmente um pedaço de tarde agradável, sentir nos ouvidos, os sons distintos das gaitas, que numa sequência característica destes instrumentos, irradiavam no ar um rítmico de magia contagiante, talvez um pouco mal habituados a este género de música na nossa aldeia, o que certamente, de futuro não venha a acontecer, porque um grupo de jovens que se agarrou com sacrifício e determinação a um instrumento tão antigo, certamente que terão cada vez mais força para o soprar nos tempos que virão, quanto a nós, vamos preparando os ouvidos, para os roncos da “ronqueta”, sons que cada vez mais nos acostumaremos a ouvir. Seguindo as pegadas da gata borralheira, à meia-noite vim rápido para casa, mas a festa ainda tinha muito rastilho, para entrar na madrugada talvez até ao cantar do galo.   

sinto-me: sinto-me ensonado

publicado por J. Alves às 01:26
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Sábado, 26 de Maio de 2007
Minhas Esculturas “O Rebento”

                                                                                                                                                                                                                                          

Minhas Esculturas P5

 

 

       Esta Escultura em madeira foi executada, há já alguns anos, são partes anatómicas, do corpo de mulher, bastante exorbitantes com sentido propositado de caricatura, em que se pode antever a gestação de um ser bastante avivado. 

                                 O Rebento                         

 


sinto-me: Bem disposto

publicado por J. Alves às 09:46
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Segunda-feira, 21 de Maio de 2007
PLANTAS MEDICINAIS (CAVALINHA)

Plantas Medicinais P10(Cavalinha)

NOME; CAVALINHA(Equisetum Arvense)

Outros Nomes;  Erva canuda, cauda de cavalo, cavalinha dos campos, pinheirinha, rabo de asno, rabo de touro, pinheirinha, equiseto dos campos, cola de caballo (em espanhol), horsetail (em inglês)

Família; das: Equisetáceas

 

Sabor;.Fresca, ligeiramente amarga, seca

Componentes;.- Silício, saponinas, resina sílica, alcalóides com nicoptina, flavonoides, minerais, potássio, manganês e magnésio, tfitoestoróis, e taninos.

 Propriedades, Diurético, adstringente, hemostático, ante - inflamatório, cicatrizante. Os caules estancam as hemorragias das feridas, hemorragias nasais, problemas da próstata, tonificam as membranas mucosas urinárias, podem controlar a incontinência, e tratar problemas da pele, doenças pulmonares. Panarício. Pedra na bexiga, casos de cistite uretrite, úlceras no estômago, é um excelente coagulante do sangue.

            Há vários anos que eu conhecia esta planta, pelas fotos e pelas suas propriedades, curativas, de tal forma, que para mim era uma planta cobiçada, em tempos falei com alguém bastante conhecedor de plantas medicinais e me informou, que esta planta existe mais para o sul, ele conheci-a muito bem, existem mais de ´20 espécies desta planta, e as fotos que eu via nos livros deixava-me entender que nunca vi essa planta, há cerca de um mês, acabei por a reconhecer no quintal, através de fotos desta espécie, num site brasileiro, fiquei surpreso e hilariante, essa planta foi trazida, de casa de familiares, e rapidamente se  reproduziram, e são aplicadas nos arranjos de flores, não tem folhas, apenas caules verdes canelados podem ser ramificados ou não depende da espécie, o caule tem um seguimento de nós castanhos curtos separados, nas pontas aparece uma pequena espiga. È uma planta rica em minerais, em especial o silício, em que é composta de cerca de 70%, graças a este componente sílico, é um bom remineralizante, do organismo, fortalece os pulmões lesionados por doenças várias.

            O chá da cavalinha pode ser utilizado no tratamento de abcessos, queimaduras etc

Foto recente (no quintal)

Cavalinha (jardim)

Um bom chá para si - oferece - João Alves



publicado por J. Alves às 22:51
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Domingo, 20 de Maio de 2007
Cardielos: Festa Da Senhora do Amparo

 Festa  Da Senhora do Amparo

 

            Esta Festa acontece todos os anos no terceiro domingo de Maio, è a Festa principal da freguesia, porque as romarias que se fazem ao santuário do Monte de S. Silvestre a 25 de Julho que é a festa de S.Tiago (padroeiro da freguesia), e a 31 de Dezembro que é a festa de S. Silvestre, são realizadas num ambiente diferente e administradas por confrarias eleitas, para um determinado  período de tempo.

            Esta festa, é realizada por mordomia, foi sempre e continua a ser feita pelos lugares da freguesia, ao contrário do que acontece nas freguesias vizinhas, em que a festa principal, é feita por toda a freguesia, este estilo, redobra em muito, o esforço financeiro feito por alguns lugares, que atendendo ao evoluir dos tempos, se viram condicionados territorialmente, em relação à sua expansão, só com muito bairrismo e carolice dos mais acérrimos populares se consegue realizar a festa, que lhes bate à porta de cinco em cinco anos, em Dezembro de cada ano, há um peditório, com toda a mordomia e com musica a acompanhar, e foguetes a estoirar, devo dizer, porque já estive nestas andanças, que o peditório rende um terço da despesa da festa, o resto é suportados pela mordomia, que tem que arranjar dinheiro para o resto dos gastos. Actualmente num labirinto de vicissitudes, que este governo impõe, e que de alguma forma, é preciso contornar, a nossa cultura começa a ficar mais pobre e começa a escassear voluntários para estes eventos, pois ninguém está para pagar impostos daquilo que oferece, e já se começa a notar essa fragilidade, as bandas de música, fanfarras, grupos de bombos etc, pertencem normalmente a associações formadas de voluntariado, se não tiverem saídas para actuações, não sobrevivem, nem tem razão de existir. Voltando à festa, já muitos costumes se extinguiram, outros se fazem de uma maneira menos vivida, felizmente, ainda existem bons costumes antigos, e estas festas são uma mais valia para o traje do Minho não cair em desuso e muito menos no esquecimento, hoje, as moças da aldeia ainda gostam de serem mordomas e de terem o seu fato à lavradeira. Não vou prolongar este meu poste alusivo à festa da Senhora do Amparo, que teve a despedida com as duas bandas de música às 20 horas, e que deu lugar à passagem da festa do Lugar de Salgueiro, para o lugar de Cutama e Chielos que ao som da música receberam aplausos e flores da mordomia cessante. Noel parabéns , pelo teu esforço e bom trabalho nesta festa, parabéns e felicidades à família Veloso, pelo seu empenho para a próxima festa,

prometo que qualquer dia escreverei detalhadamente os costumes de 40 anos atrás, relacionados com a festa da Senhora do Amparo, certamente coisas curiosas irão surgir.  

 

Altar da Senhora do Amparo

mordomas

Preparando a prossição

Altar Mor

três anjos de azul

Um rosto dourado

Pó-pó-pó

Um sorriso bonito

Passagem do pálio

sorriso sobre ouro

Grupo Maria da peida e Ruth Marlene

Uma foto `la minut


sinto-me: Festivo
música: <embed src=http://conselhonet.v10.com.br/busca/Charlie_Brown

publicado por J. Alves às 23:51
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007
CARDIELOS; Aniversário de Albano Viana

 

CARDIELOS ; Aniversário de Albano Viana

No Sábado, dia 12 de Maio, foi festejado o 90 aniversário de Albano Viana, embora tenha nascido a 11 de Maio de 1917, mês e ano das aparições de Nossa Senhora de Fátima. Este evento realizado na quinta de D. Sapo em Cardielos, entre familiares e amigos num ambiente de muita alegria e divertimento, aproveito esta quadra marcante na sua vida para falar um pouco do seu passado. Albano Viana (meu sogro), é uma pessoa muito popular rodeado de amigos, é o mais novo de cinco irmãos, como era frequente naquele tempo, nascia-se, e de tenra idade passava-se a homem, não havia tempo de invernar como criança, mal se largava as fraldas que naquela altura eram trapos que os irmãos mais velhos tinham usado, começava-se a andar, corria-se atrás das galinhas que fugiam para as hortas, e obedecia-se às ordens gritantes dos pais que ecoavam estridentes nos ouvidos com efeito determinado, “Tem conta nas galinhas”. Depois de guardadores de galinhas passava-se a guardadores de gado bovino e ovelhas no monte, aí tinham que ter boa corrida e serem destros para não deixar os animais irem para os prados dos vizinhos, porque logo havia queixas e isso dava direito a apanhar porrada, com treze anos era o rapaz dos picos de outros pedreiros cá da terra, foi trabalhar para a Galiza Espanha, passando a fronteira a coberto da noite com outros colegas mais velhos, onde esteve ano e meio sem ver a família, mais tarde foi trabalhar como pedreiro para a Cova da Piedade (Lisboa), aí, em convívio com muitos homens da terra tinham a sua própria colónia em comunidade, naquele tempo o pessoal do norte sempre aventureiro emigrava para as grandes cidades, Cardielos como outras freguesias vizinhas, durante parte do ano só havia mulheres, velhos e crianças, os homens casados, iam e voltavam para o baptizado dos filhos, os solteiros só por altura do natal, mais tarde essa emigração estendeu-se mais longe para França, Alemanha, e Suiça, antes só existia excepcionalmente para o Brasil, mas era só para alguns felizardos. Depois de cumprir o serviço militar, no 7º. Regimento de Cavalaria na Ajuda, Em Lisboa, alistou-se na Guarda Nacional Republica, nesses tempos convulsivos da segunda guerra mundial foi mobilizado para os Açores, embarcou com a sua viatura, queria dizer, o seu cavalo, no navio Carvalho Araújo, já no alto mar foram interceptados por um navio de guerra Americano, o barco em que seguiam juntamente com passageiros civis, foi aprisionado, e eles tropa GNR com fardamento tipo nazi era os capacetes, eram as armas, até as embalagens das armas, tinham as descrições da sua proveniência em língua alemã, ninguém compreendia o idioma de ambas as partes, tal era a dúvida da parte dos americanos, que foram todos metidos no porão do barco, os passageiros choravam e eles muito jovens chegaram a recear pela vida, depois de contactos entre o barco, Lisboa, América, e Açores, é que foi resolvido o mal entendido.

            Depois destes sobressaltos indesejáveis, chegaram à ilha de Santa Maria nos Açores, no meio de uma tempestade, eles teriam que ficar ali, era o porto de destino, mas tal não seria possível, se não fosse o povo Açoriano homens habituados às irritações das intempéries, que ajudaram e carregaram para terra o equipamento e encaminharam os animais.

            Já tudo estabilizado na ilha, Albano, tinha como missão afastar os animais da pista de aviação, que por ali deambulavam à solta, para que os aviões americanos pudessem aterrar, quando ouvia o roncar de algum avião, lá ia ele em corrida desenfreada com o seu cavalo “Pardal”, a afugentar os animais, meu sogro tinha um carinho especial por este cavalo, ele também era um cavalo especial, era difícil de montar ao princípio, muito nervoso mas com muito afecto e meigo, Só que um dia assustou-se com o barulho de um avião, e saltou a vedação e despenhou-se com o cavaleiro num barranco com cerca de dez a quinze metros no meio dos penedos onde ficaram estatelados, tiveram que ser puxados com um guincho, o cavalo morreu, o meu sogro foi levado para o hospital, sendo dado como morto, ia ser autopsiado e estava em local próprio à espera dessa intervenção, quis o destino, que um piloto americano por sinal amigo dele, que também era médico, soube do acidente e foi de imediato para o hospital, mais propriamente para a morgue do hospital, e descobriu que estava em estado de coma, de imediato sem dar cavaco a ninguém, era noite meteu-o no jipe levou-o para o avião e seguiu para a América, ainda esteve doze dias em estado de coma, depois com platina no crânio mais uns agrafos etc., ficou um homem novo. Mais tarde, por desígnios do destino esse médico morreu em combate, o avião dele foi abatido numa missão contra os nazis. Naquela altura, estes acontecimentos não foram bem entendidos pelos comandos e pelo governo de então, deu alguma polémica no que dizia respeito a autorizações, Albano ficou proibido de montar a cavalo, veio para a metrópole e foi colocado no 4º Esquadrão da Ajuda, junto ao Palácio da Ajuda em Lisboa, apresentou-se nessa altura ao capitão Spínola que de seguida disse a ele e a mais dois, pegai em pás e ides movimentar terras para o picadeiro, Albano disse-lhe que não poderia fazer esse género de trabalho nem podia montar, ide para lá, depois logo se vê, mais tarde foi colocado como telefonista. Só tempos depois, com algumas influências mesmo contra a vontade de Spínola, conseguiu transferência para o Regimento cavalaria motorizada da Bela Vista no Porto, era motorista, e foi escalado para restringir e vigiar os passos do Capitão sem medo Humberto Delgado na sua campanha no Norte, foram oito dias sem descalçar as botas, dormindo alternadamente no jipe, com os oficiais, sempre a repetir as ordens que tinham que cumprir, quando o General chegava a uma povoação, eles tiram ordens para bloquear a caravana de acompanhantes, e só deixar passar o General e mais duas pessoas, até junto da multidão que os esperavam, uma vez na Póvoa o General vira-se para eles e diz; sois sempre os mesmos trabalhais como escravos, se eu ganhar, alguma coisa poderei fazer por voz.

            Reformou antes da idade, por não se identificar muito com a vida militar, e psicologicamente traumatizado, pelo facto da, sua vida se dever ao altruísmo de um estrangeiro, amigo superficial que nem falava a mesma língua mas conviviam, e que num momento decisivo, fez o impossível para lhe salvar a vida, passando um atestado de incompetência aos nossos médicos, carregando com ele para um país longínquo, enquanto os colegas de serviço jogavam às cartas. A notícia da sua morte chegou cedo à terra que num ápice se espalhou com muita tristeza, felizmente que ressuscitou.   Deus lhe dê muitos anos de vida, aqui fica a minha simples homenagem Parabéns     



publicado por J. Alves às 21:04
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Domingo, 6 de Maio de 2007
OBSERVÂNCIAS "senhor distinto"

Observâncias

 

            Não me recordo do dia,  mas naquela  altura durante algum tempo, era costume, apanhar o saudoso “”77””, era o autocarro que fazia a zona – Aliados Viso e Vice versa, na Cidade do Porto, eu apenas o utilizava numa pequena parcela do seu percurso, è frequente a quem utiliza os transportes públicos, ser confrontado com peripécias, por vezes positivas, com a intervenção de pessoas que exprimem o seu espírito humorístico, contagiando com o seu alegre à vontade, um efeito de boa disposição nas outras pessoas, que, por momentos, se abstraem dos seus problemas, para ensaiarem umas gargalhadas em comum, outras vezes dá para entrar sem qualquer apetite, na vida de estranhos que sem se precaverem conversam pensando que estão no privado, outras vezes deparamos com algo que nos revolta e nos deixa perplexos, com os procedimentos de alguns indivíduos, cuja conduta, se afasta das mais elementares regras de educação básica, passo a citar o que numa dessas viagens me foi dado observar.

            O autocarro seguia com a lotação completa, como quase sempre acontece nas horas de ponta, em que as pessoas prensadas nos corredores comuns do autocarro, se espremem em toda a sua extensão vertical, não havia espaço sequer, para mais um par de sapatos, perto de mim, um cavalheiro agarrava-se energicamente com ambas as mãos a um dos varões cromados que sustentam a cobertura do veículo, aparentava ter cerca de setenta anos, muito bem penteado, barba cortada recentemente, bigode bem aparado, distintamente vestido, com casaco azul escuro, calça de linho vincada, sapatos de verniz brilhante. Sentado num banco ao lado, seguia um senhor, aparentava ter cerca de quarenta e cinco anos, mas com o físico mais estragado do que o primeiro, vestia um facto cor de azeitona verde, já bastante gasto, segurava em cima dos joelhos uma pasta de cabedal, modelo muito utilizado em anos atrás, com vestígios de muito uso coçada e com algumas nódoas, pela aparência segundo a minha observação deveria ser vendedor.     Este senhor levantou-se e dirigiu-se ao distinto senhor, nestes termos; Tem aqui o meu lugar, não se quer sentar? Ao que o outro retorquiu, com voz forte em aceso rompante, Não, não quero sentar-me, o primeiro ainda de pé muito delicadamente insistiu na oferta, fazendo transparecer muita sinceridade no seu gesto, porém nesta segunda insistência, o distinto senhor respondeu aos berros que ecoaram por todo o autocarro – Já lhe disse que não me quero sentar, ou o senhor quer obrigar-me a sentar, enquanto pronunciava estas palavras, ia mudando de sítio acotovelando as pessoas.

            Perante este quadro, as pessoas que assistiram a esta cena, ficaram revoltadas perante a atitude do senhor distinto, a ninguém passaria pela cabeça que tais impropérios acompanhados de tais gestos poderiam estar latentes no senhor distinto, no decorrer da curta viagem, perguntava aos meus indiferentes botões – será que alguma vez o Senhor que ia sentado, oferecerá o seu lugar a mais alguém depois de todo aquele vexame?



publicado por J. Alves às 11:21
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Terça-feira, 1 de Maio de 2007
Meus Bonsais ”ACER”

ACER Palmatum

 

Meus Bonsais P3

 

FAMÍLIA:  Aceráceas

 

ACER

 

            Esta planta de jardim, começa nesta época primaveril, a desabrochar com toda a força e beleza, depois de ter invernado, completamente sem graça exposta a que foi, a uma poda necessária, de manutenção, para a sua própria saúde e longevidade e para desfrutar da beleza e admiração que agora possuiu, a beleza do Acer, excede em muito o pressuposto, daquilo que nós tentamos idealizar na altura da poda, os seus rebentos, vão sempre mais além daquilo que idealizamos, é de uma beleza irreverente, que não consigo controlar, e fica sempre mais bela com uma beleza retocada à sua maneira e personalizada. Eu respeito e admiro.  

   

ACER (18 anos)

Foto tirada hoje

 


sinto-me: cançado, deitei-me de madrugad

publicado por J. Alves às 14:35
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